terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Atividade 1 - Ação 3 - Avaliação da Experiência

EDUCAÇÃO NA CULTURA DIGITAL
TUTORA: ANDRÉA CORREA
CURSISTAS: ANA CLEIDE DOS SANTOS,
                       CHRISTIANE PEREIRA DO AMARAL TOMASI,
                       ELAINE CRISTINA DOS SANTOS
                       GRASIELE AFONSO COELHO BARP.


A linguagem é uma das faculdades cognitivas mais flexíveis e plásticas adaptáveis às mudanças comportamentais. Quando os equipamentos informáticos e as novas tecnologias de comunicação começaram fazer parte da vida das pessoas e das instituições, jamais se imaginou que tamanha seria a influencia desses no desenvolvimento e aprimoramento da linguagem.
Dessa forma, a comunicação mediada por computadores e telefones celular nos oferece peculiaridades no uso da linguagem social, cultura e comunicativo.
Assim, diante da experiência de construir um diário on line tendo como página o Facebook onde os alunos deveriam relatar diariamente aspectos do cotidiano escolar nessa página percebemos a empolgação dos alunos e e melhora no vocabulário, já que uma das regras era evitar o vocabulário internetiano.
Falta de equipamentos apropriados em casa como celular, computador, tablets ou o principal, acesso a internet foi o maior desafio encontrado na realização dessa etapa. Na escola a maior dificuldade encontrada foi de fato o acesso a página Facebook, pois essa é bloqueada pelo servidor do município para inibir acesso as redes sociais em horário de expediente.
Na esteira das invenções de tecnológicas os desafios necessitam de análise e compreensão. Investigação é a palavra de ordem para que os fenômenos digitais sejam entendidos e inseridos de maneira assertiva no contexto escolar.
Dessa forma insistimos que diário on line nos insere links capazes de flutuar e divagar e, ao mesmo tempo, direcionam a leitura da página. Neste diário não tem nome de alunos, apenas fotos de algumas atividades escolares, de professores, ou seja, ele é um documento, mas de forma ordinária. “As escritas ordinárias ou sem qualidade são aquelas realizadas pelas pessoas comuns e que se opõe aos escritos prestigiados, elaborados com vontade específica de 'fazer uma obra' para ser impressa” (FABRE, 1993, apud CUNHA, 2003, p. 10).
Pensamos que cada leitor pode escolher seus textos e suas escritas, das placas de argila dos sumérios aos textos dos internautas, ou cibertextos. Para isso, diante do texto escrito, o leitor empresta sua voz, aquilo que parece silenciar. Por mais que na antiguidade poucas pessoas soubessem ler, os escritores supunham que eles apenas ouviam. O contato com o texto já existia com sua forma e conteúdo. Hoje a reprodução de muitos textos dá-se na internet, através de sites de relacionamento. Por isso, Chartier, diz que “o leitor é um caçador que percorre terras alheias” (2001, p. 73). Lembramos aqui dos códigos, papiros, até mesmo da carta de Pero Vaz de Caminha, dos livros ao texto eletrônico, este texto não maciço nem quantificável em sua materialidade, mas que da leitura permeiam a produção e diversos gêneros e sentidos.
Ao tomar posse particular da análise do “diário de classe”, relembramos os momentos históricos vividos pela educação. Tanto no fracasso como em seu sucesso. Salientar, ainda, aquilo que nos diz ser importante é selar o que um dia nos disseram como verdadeiro. O conhecimento, o conteúdo da memória escolar revela que os nossos pés pisam de acordo com aquilo que compreendemos ou sabemos. Não se sobrevive apenas no abstrato, naquilo que é irreal, precisa sobrevive apenas no abstrato, naquilo que é irreal, precisa-se do concreto, da argamassa para juntar os tijolos do muro da escola nos tempos de hoje.
Consubstanciadas naquilo que acreditamos segue abaixo algumas fotos retiradas das páginas de Facebook de alguns alunos e partilhamos na íntegra os comentários ou legendas dessas fotos.
Nesse caso a proposta era registrar através de foto lugares da escola que lhe chamam a atenção, postar no Facebook e escrever porque aquela imagem foi escolhida.
 A seguir escritas dos alunos:

“Adorei a dire deixar fotografar a sala dela é a mais bonita de todas, queria que minha sala fosse assim também.”
  

“Essa máquina é muito manera, os professores colocam o dedo para mostrar que estavam trabalhando. Tenho vontade de colocar meu dedo ali para ver se aparece meu nome também.”

         
 “A dona Elaine é cheia das regras nada pode, nada pode, mas a biblioteca até que é um lugar legalzinho, quando ela ta de bom humor a gente até bate um papo, mas ela fica dizendo não é carça, não é sargadinho....”



 “Essa parte é maravilinda, mas por aqui nóis não podemo entrar. Essa entrada é só de professores e visitas.”


“Aqui a gente pode entrar e ficar na hora do recreio”


“Essa sala parece legal, mas eu não queria estudar ali. É uma sala para criança que precisa de ajuda. A professora falou o nome que  diz mais eu não me lembro”
     

 “ Aqui é onde as tias fazem nossa merenda, mas só elas podem entrar, as tias da cozinha são gente boa e se pedir frutas elas dão”
    


“Nesse dia as professoras estavam fazendo trabalho, mas eu acho que estavam vendo fofocas hehehehe”

O professor é brabo mas é a aula mais legal do dia!
     


“as vezes, mas só as vezes a gente pode pesquisar no celular lá na biblioteca”


 “tem gente que só fica se abobando na hora séria”


“Melhor que educação física é a hora do lanche, no refeitório a gente encontra os amigos das outras turmas
     

 Local de brincar, correr se divertir, mas os alunos pequenos gritam muito”
  
  
“Nos corredores tem câmera pra cuidar de nós, mas tem as tias da limpeza que gritam e brigam se você bagunçar, nossa escola é muito grande, mas muito bonita, quando sair daqui vou sentir saudades.”


Ao finalizar o trabalho com fotos, visualizamos a escola através de um olhar que nos direcionou diferentes perspectivas. Olhando algumas fotos, no que tange a sociabilidade, temos vários alunos numa conjuntura de trocas, onde brincam e conversam. Por outra perspectiva, permitimo-nos olhar a escola como um espaço curricular vazio, pois o currículo da escola está em suas paredes. Isso se justifica nas postagens dos alunos, onde suas reflexões são rasas, vazias e quase sem significado, não conseguem olhar além da imagem que ali está sem interpretação.
Sendo a escola um espaço de sociabilidade e de trocas, e as TDICs ferramentas dessa era como é possível tal instrumento ainda ser barrado nos portões? Como em pleno século XXI aceitarmos a escola que se parece com um presídio não somente na estrutura física, mas também em seu currículo?
Os diários on line aqui analisados pertencem a alunos de 8º ano da página de relacionamento ou rede social, chamado Facebook, usado por milhares de pessoas, de diferentes regiões, países, culturas e opiniões. A página construída na internet pelos alunos de 13 e 14 anos, chama atenção pelas suas considerações sobre a visão desses alunos em relação à escola, alguns a romantiza, outros a tem como lugar. Em determinadas postagens há críticas, em outras, elogios e assim recorre aos internautas de plantão.
Sendo assim chamamos a atenção não apenas para a mídia utilizada, mas sim para tudo aquilo que nosso aluno tem a contribuir, e se a ferramenta é a internet, que possamos utilizá-la de maneira assertiva e produtiva.
O desenvolvimento dessa atividade durante mais de trinta dias, foi também uma crítica focada para que exista entre os projetos pedagógicos e em seus objetivos, tanto geral quanto específicos perspectivas de Cultura Digital. 
Ainda há muita reflexão e muito trabalho para que todos os anseios positivos e todas as alternativas de transformação sejam uma realidade funcional para a educação. Há que se compreender a prática, as demandas e as expectativas de todos os envolvidos nesse processo. É tempo de inovar, diante da prática docente, com consciência crítica sobre o uso das tecnologias para fins educativos. Sob um prisma positivista diante de tudo que refletimos aqui. Reconhecemos que muito já se tem feito em termos de uso das tecnologias e que já existem transformações na relação entre alunos e docentes.
            Sendo assim, que os computadores, smartphones e tablets simbolizem uma aproximação ao conhecimento e à compreensão de cada momento histórico, e uma aceitação acerca de quais passos já foram dados e dos tantos que são necessários e ainda estão por vir quando se fala da relação entre Cultura Digital e Educação.



REFERÊNCIAS

CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo: 1945.

CHARTIER, Roger. Práticas de Leitura. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.

CHARTIER, Roger. Do Códice ao monitor: A trajetória do escrito. São Paulo: Estudos Avançados, 1994.

CHARTIER, Anne-Marie; HÉBRARD, Jean. Discursos sobre a Leitura: 1880-1980. São Paulo; Ática, 1995.

CUNHA, Maria Teresa Santos; MIGNOT, Ana Chrystina Venancio (Orgs). Práticas de memória docente. São Paulo: Cortez, 2003.

ECO, Humberto e Carriére; Jean-Claude. Não contem com o fim do livro. São Paulo: Record, 2010.

MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. São Paulo: Companhia das Letras,1997.

Página Diário de Classe. Disponível em: <WWW.FACEBOOK.COM.BR/>. Acesso em: 06/009/2015 à 30/11/2015

SOUZA, Maria Cecília Cortez Christiano de Souza. Escola e memória. Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2004.





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