EDUCAÇÃO NA CULTURA DIGITAL
TUTORA:
ANDRÉA CORREA
CURSISTAS: ANA
CLEIDE DOS SANTOS,
CHRISTIANE PEREIRA DO
AMARAL TOMASI,
ELAINE CRISTINA DOS
SANTOS
GRASIELE AFONSO COELHO
BARP.
A
linguagem é uma das faculdades cognitivas mais flexíveis e plásticas adaptáveis
às mudanças comportamentais. Quando os equipamentos informáticos e as novas
tecnologias de comunicação começaram fazer parte da vida das pessoas e das
instituições, jamais se imaginou que tamanha seria a influencia desses no
desenvolvimento e aprimoramento da linguagem.
Dessa
forma, a comunicação mediada por computadores e telefones celular nos oferece
peculiaridades no uso da linguagem social, cultura e comunicativo.
Assim, diante
da experiência de construir um diário on line tendo como página o Facebook onde
os alunos deveriam relatar diariamente aspectos do cotidiano escolar nessa
página percebemos a empolgação dos alunos e e melhora no vocabulário, já que
uma das regras era evitar o vocabulário internetiano.
Falta de
equipamentos apropriados em casa como celular, computador, tablets ou o
principal, acesso a internet foi o maior desafio encontrado na realização dessa
etapa. Na escola a maior dificuldade encontrada foi de fato o acesso a página
Facebook, pois essa é bloqueada pelo servidor do município para inibir acesso
as redes sociais em horário de expediente.
Na esteira das invenções de tecnológicas os desafios
necessitam de análise e compreensão. Investigação é a palavra de ordem para que
os fenômenos digitais sejam entendidos e inseridos de maneira assertiva no
contexto escolar.
Dessa forma insistimos que diário
on line nos insere links capazes de flutuar e divagar e, ao mesmo tempo,
direcionam a leitura da página. Neste diário não tem nome de alunos, apenas
fotos de algumas atividades escolares, de professores, ou seja, ele é um
documento, mas de forma ordinária. “As escritas ordinárias ou sem qualidade são
aquelas realizadas pelas pessoas comuns e que se opõe aos escritos
prestigiados, elaborados com vontade específica de 'fazer uma obra' para ser
impressa” (FABRE, 1993, apud CUNHA,
2003, p. 10).
Pensamos
que cada leitor pode escolher seus textos e suas escritas, das placas de argila
dos sumérios aos textos dos internautas, ou cibertextos. Para isso, diante do
texto escrito, o leitor empresta sua voz, aquilo que parece silenciar. Por mais
que na antiguidade poucas pessoas soubessem ler, os escritores supunham que
eles apenas ouviam. O contato com o texto já existia com sua forma e conteúdo.
Hoje a reprodução de muitos textos dá-se na internet, através de sites de
relacionamento. Por isso, Chartier, diz que “o leitor é um caçador que percorre
terras alheias” (2001, p. 73). Lembramos aqui dos códigos, papiros, até mesmo
da carta de Pero Vaz de Caminha, dos livros ao texto eletrônico, este texto não
maciço nem quantificável em sua materialidade, mas que da leitura permeiam a
produção e diversos gêneros e sentidos.
Ao tomar posse
particular da análise do “diário de classe”, relembramos os momentos históricos
vividos pela educação. Tanto no fracasso como em seu sucesso. Salientar, ainda,
aquilo que nos diz ser importante é selar o que um dia nos disseram como
verdadeiro. O conhecimento, o conteúdo da memória escolar revela que os nossos
pés pisam de acordo com aquilo que compreendemos ou sabemos. Não se sobrevive
apenas no abstrato, naquilo que é irreal, precisa sobrevive apenas no abstrato,
naquilo que é irreal, precisa-se do concreto, da argamassa para juntar os
tijolos do muro da escola nos tempos de hoje.
Consubstanciadas
naquilo que acreditamos segue abaixo algumas fotos retiradas das páginas de
Facebook de alguns alunos e partilhamos na íntegra os comentários ou legendas
dessas fotos.
Nesse caso a
proposta era registrar através de foto lugares da escola que lhe chamam a
atenção, postar no Facebook e escrever porque aquela imagem foi escolhida.
A seguir escritas dos alunos:
“Adorei a dire deixar fotografar a sala dela é a mais
bonita de todas, queria que minha sala fosse assim também.”
“Essa
máquina é muito manera, os professores colocam o dedo para mostrar que estavam
trabalhando. Tenho vontade de colocar meu dedo ali para ver se aparece meu nome
também.”
“A dona Elaine é cheia das regras nada pode,
nada pode, mas a biblioteca até que é um lugar legalzinho, quando ela ta de bom
humor a gente até bate um papo, mas ela fica dizendo não é carça, não é
sargadinho....”
“Essa parte é maravilinda, mas por aqui nóis
não podemo entrar. Essa entrada é só de professores e visitas.”
“Aqui
a gente pode entrar e ficar na hora do recreio”
“Essa
sala parece legal, mas eu não queria estudar ali. É uma sala para criança que
precisa de ajuda. A professora falou o nome que
diz mais eu não me lembro”
“ Aqui é onde as tias fazem nossa merenda, mas
só elas podem entrar, as tias da cozinha são gente boa e se pedir frutas elas
dão”
“Nesse
dia as professoras estavam fazendo trabalho, mas eu acho que estavam vendo
fofocas hehehehe”
O professor é brabo mas é a aula mais legal do dia!
“as
vezes, mas só as vezes a gente pode pesquisar no celular lá na biblioteca”
“tem gente que só fica se abobando na hora
séria”
“Melhor
que educação física é a hora do lanche, no refeitório a gente encontra os
amigos das outras turmas”
Local
de brincar, correr se divertir, mas os alunos pequenos gritam muito”
“Nos
corredores tem câmera pra cuidar de nós, mas tem as tias da limpeza que gritam
e brigam se você bagunçar, nossa escola é muito grande, mas muito bonita,
quando sair daqui vou sentir saudades.”
Ao finalizar o
trabalho com fotos, visualizamos a escola através de um olhar que nos
direcionou diferentes perspectivas. Olhando algumas fotos, no que tange a
sociabilidade, temos vários alunos numa conjuntura de trocas, onde brincam e conversam.
Por outra perspectiva, permitimo-nos olhar a escola como um espaço curricular
vazio, pois o currículo da escola está em suas paredes. Isso se justifica nas
postagens dos alunos, onde suas reflexões são rasas, vazias e quase sem
significado, não conseguem olhar além da imagem que ali está sem interpretação.
Sendo a escola
um espaço de sociabilidade e de trocas, e as TDICs ferramentas dessa era como é
possível tal instrumento ainda ser barrado nos portões? Como em pleno século
XXI aceitarmos a escola que se parece com um presídio não somente na estrutura
física, mas também em seu currículo?
Os diários on line aqui
analisados pertencem a alunos de 8º ano da página de relacionamento ou rede
social, chamado Facebook, usado por milhares de pessoas, de diferentes regiões,
países, culturas e opiniões. A página construída na internet pelos alunos de 13
e 14 anos, chama atenção pelas suas considerações sobre a visão desses alunos
em relação à escola, alguns a romantiza, outros a tem como lugar. Em
determinadas postagens há críticas, em outras, elogios e assim recorre aos
internautas de plantão.
Sendo assim chamamos a
atenção não apenas para a mídia utilizada, mas sim para tudo aquilo que nosso
aluno tem a contribuir, e se a ferramenta é a internet, que possamos utilizá-la
de maneira assertiva e produtiva.
O desenvolvimento dessa atividade durante
mais de trinta dias, foi também uma crítica focada para que exista entre os
projetos pedagógicos e em seus objetivos, tanto geral quanto específicos
perspectivas de Cultura Digital.
Ainda há muita reflexão e muito trabalho para que todos os anseios
positivos e todas as alternativas de transformação sejam uma realidade
funcional para a educação. Há que se compreender a prática, as demandas e as
expectativas de todos os envolvidos nesse processo. É tempo de inovar, diante
da prática docente, com consciência crítica sobre o uso das tecnologias para
fins educativos. Sob um prisma positivista diante de tudo que refletimos aqui.
Reconhecemos que muito já se tem feito em termos de uso das tecnologias e que
já existem transformações na relação entre alunos e docentes.
Sendo assim, que os computadores,
smartphones e tablets simbolizem uma aproximação ao conhecimento e à
compreensão de cada momento histórico, e uma aceitação acerca de quais passos
já foram dados e dos tantos que são necessários e ainda estão por vir quando se
fala da relação entre Cultura Digital e Educação.
REFERÊNCIAS
CHARTIER,
Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo: 1945.
CHARTIER,
Roger. Práticas de Leitura. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.
CHARTIER,
Roger. Do Códice ao monitor: A trajetória do escrito. São Paulo: Estudos
Avançados, 1994.
CHARTIER,
Anne-Marie; HÉBRARD, Jean. Discursos sobre a Leitura: 1880-1980. São Paulo; Ática, 1995.
CUNHA,
Maria Teresa Santos; MIGNOT, Ana Chrystina Venancio (Orgs). Práticas de
memória docente. São Paulo: Cortez, 2003.
ECO,
Humberto e Carriére; Jean-Claude. Não contem com o fim do livro. São
Paulo: Record, 2010.
MANGUEL,
Alberto. Uma história da leitura. São Paulo: Companhia das Letras,1997.
Página
Diário de Classe. Disponível em: <WWW.FACEBOOK.COM.BR/>. Acesso em: 06/009/2015
à 30/11/2015
SOUZA, Maria Cecília Cortez Christiano de Souza. Escola e
memória. Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2004.


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